Confira como foram os painéis do seminário da ABBI sobre Bioeconomia no G20

O seminário “Bioeconomia no G20: balanço e perspectivas” trouxe especialistas dos setores público e privado para discutirem, em dois painéis, os desafios e as oportunidades da nova economia em suas respectivas áreas. O evento foi organizado pela Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI), na terça-feira (4), véspera do Dia Mundial do Meio Ambiente. A primeira mesa, moderada pelo presidente executivo da ABBI, Thiago Falda, trouxe nomes do mercado e de setores do governo ligados ao meio ambiente e à indústria.

Pensando em um futuro responsável e sustentável, o gerente de inovação da América Latina da BASF, Rony Sato, salientou a “importância da inovação e transparência para o desenvolvimento de soluções sustentáveis para o futuro” e complementou: “estamos comprometidos em desenvolver soluções que impulsionem a bioeconomia”.

Especialista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Daniel Vargas trouxe uma visão crítica sobre o posicionamento global do Brasil na nova economia. Ele destacou os impactos negativos da produção de etanol em São Paulo no desmatamento da Amazônia, ressaltando a necessidade de repensar os padrões de produção e consumo. “”É essencial reconhecer que o Brasil enfrenta desafios significativos em sua posição na economia global. Precisamos repensar nossos padrões de produção e consumo para mitigar os impactos ambientais e promover um desenvolvimento verdadeiramente sustentável”, finalizou.

Ainda participaram do primeiro painel, o secretário da Economia Verde do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Rodrigo Rollemberg; e a secretária Nacional de Bioeconomia do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Carina Pimenta (Leia mais aqui).

Potencial brasileiro

O segundo painel do dia trouxe nomes da agricultura, ciência e inovação, e do setor industrial. Primeiro a falar, Maurício Lopes, pesquisador da Embrapa, apontou que o Brasil deve tomar a posição de liderança no cenário global de bioeconomia. “O G20 no Brasil nos traz uma oportunidade única de mostrar ao mundo nossa capacidade de formular visões arrojadas e estratégias que vão muito além dos nossos limites”, comentou Lopes. Ele enfatizou a importância do cinturão tropical do globo, onde se concentram os recursos críticos da bioeconomia, e a necessidade de o Brasil se destacar nesse contexto.

Diretor do Departamento de Programas Temáticos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Leandro Pedron ressaltou a transversalidade da bioeconomia e a necessidade de avançar na ciência para atingir os objetivos dessa iniciativa. “É impossível pensar em como vamos utilizar a bioeconomia, sem considerar a melhor ciência para se desenvolver”, afirmou.

Chefe da Embrapa Energia, Alexandre Alonso enfatizou em sua fala a importância das biorrefinarias e da biomassa na discussão internacional. Ele sugeriu que o Brasil deve adotar uma abordagem de “e” em vez de “ou” quando se trata de desenvolvimento tecnológico. “Com as tecnologias corretas desenvolvidas no contexto brasileiro, podemos pensar sempre no ‘e’. Podemos produzir biocombustível, bioinsumos e bioelementos simultaneamente”, explicou.

Além do lado ambiental, as questões alimentares, energética e climática foram pontos mencionados por Alessandro Cruvinel, Diretor do Departamento de Apoio à Inovação para Agropecuária do Ministério da Agricultura. “A agricultura brasileira tem uma capacidade de elasticidade muito grande, e com os estímulos certos, podemos transformar o sistema produtivo”, afirmou Cruvinel. Ele destacou a inovação como elemento fundamental para essa transformação e a necessidade de mais incentivos para os produtores rurais.

Leonardo Mercante, da Suzano, destacou a importância de um bom ambiente de negócios para o desenvolvimento da bioeconomia. “A Suzano é uma realidade da bioeconomia brasileira há mais de 100 anos, transformando áreas degradadas e contribuindo para a captura de carbono”, disse Mercante. Ele mencionou o papel da empresa na produção de celulose e na inovação tecnológica, bem como seu investimento em créditos de carbono através da Biomas. “Temos como meta produzir, até 2030, 10 milhões de toneladas de produtos alternativos aos de origem fóssil”, acrescentou.